quinta-feira, 17 de abril de 2008

Feliz aniversário, Junior!!! =)

Para ler ouvindo: “See the sun” da Dido.

=) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =)

Se o Junior tivesse estudado na mesma escola que eu, provavelmente faria parte do meu grupo de amigos, que chamávamos carinhosamente e com pouca modéstia de “elite”, hehehe. A elite era composta basicamente por 3 homens (2 casaram e tomaram rumo) e 4 mulheres (1 está noiva, mas diz que nunca vai nos abandonar). Um dos eventos mais legais que a elite faz anualmente é o amigo oculto. Num primeiro momento, os presentes eram cds piratas, uma forma simbólica de nos presentearmos, até chegarmos na fase atual de cds e dvds originais (os tempos melhoraram, graças a Deus!).

O fato é que se o Junior fosse membro do grupo, nós, certamente, e independente da vontade dele, faríamos uma festinha compulsória, como fizemos para a Adriana ano passado. Combinamos uma reunião na minha casa às 15hs. A Adriana teve que ir a um churrasco com o namorado. Às 17hs já estávamos a ponto de ligar mais uma vez e estragar a surpresa, mas felizmente ela apareceu. E foi pega de surpresa mesmo... ela nem esperava. Achou o máximo termos organizado tudo, desde o bolo (eu que fiz, um dos meus destaques culinários, hehehe) até balões e cartazes impressos de computador desejando feliz aniversário. Super legal!

Mas o Junior não faz parte desse grupo de amigos... Mesmo assim, simbolicamente, fica aqui uma pequena homenagem... vou desejar o que todo mundo sempre deseja: paz, saúde, sucesso, amor... e vou dizer que apesar de você tomar chá de sumiço, ser abduzido e visitar outras galáxias, adorei o período em que nos falávamos todos os dias, no qual tentamos decifrar os grandes enigmas do universo e afins, no qual eu ficava zumbi do “Resident Evil” no trabalho ou cursinho. Sempre foi legal sacrificar umas horinhas de sono... Eu te falei umas coisas que depois eu mesmo ficava de cara... eu demorei tantos anos a querer falar algo e de repente lá me via eu em bom desprendimento.

Eu parafraseei você dizendo que eu também era um ser que implorava e a gente sempre implora mesmo um pouquinho de atenção das pessoas que a gente gosta. Porém, há um período em que todo mundo acaba fazendo aquelas escolhas de vida e quem implora também cai na real... alguns ficam, outros vão e eu não vou racionalizar em qual categoria você vai ficar, porque eu adorei ter te conhecido e saber da existência de algumas pessoas já é algo importante. Se de repente a gente não se cruzar mais mesmo e você ler o blog, te digo que vou guardar os bons momentos que passamos juntos na lembrança e no coração... você já virou texto, página de diário, poesia e provavelmente vai virar romance também num futuro próximo... tô fazendo que nem a Isabel Allende, juntando histórias para depois escrevê-las do meu jeito, com a minha cara e explodir no mercado editorial, hehehehe.

Por fim, você lembra quando a gente se viu pela primeira vez e na hora de ir embora eu te pedi um abraço? De repente você interpretou que eu era o ser mais carente do mundo, acho que foi por isso que você disse para eu não esperar muito de você... mas não, sou só um pouquinho como todo mundo e acho que foi a primeira vez que eu pedi para abraçar alguém... não me arrependi... fica na memória e coração também. Vou citar só um trechinho de uma canção da Lara Fabian (sempre a Lara Fabian) que resume bem: “These arms are my heart”...

=) =) =) Feliz aniversário, Junior!!! Abraço!!! =) =) =)

=) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =) =)

domingo, 13 de abril de 2008

Sutilezas

1- Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue;
2- Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo;
3- Angústia é um nó muito apertado, bem no meio do sossego;
4- Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento;
5- indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa;
6- Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára;
7- Intuição é quando o seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido;
8- Pressentimento é quando passa em você um trailer de um filme que pode ser que nem exista;
9- Vergonha é um pano preto que você quer para se cobrir naquela hora;
10- Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;
11- Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento;
12- Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado;
13- Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;
14- Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração;
15- Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma;
16- Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta para os outros;
17- Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas geralmente não podia;
18- Lucidez é um acesso de loucura ao contrário;
19- Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato;
20- Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele;
21- Paixão é quando apesar da palavra perigo o desejo chega e entra;

22- Amor é quando a paixão não tem compromisso marcado. Não... amor é um exagero... também não... um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação, esse negócio de amor... não sei explicar!

Mário Prata

Hoje é o dia do beijo... pena não ter alguém para comemorar... mas beijei duas amigas no shopping, já é alguma coisa, hehehe.
Eu ia postar outra coisa, mas recebi esse e-mail ontem e ele me chamou a atenção. Não sei dizer se o autor é mesmo o Mário Prata porque na net as fontes são confusas, mas fica a leveza e a sutileza dessas palavras...

=) Boa semana a todos!!! =) =) =) =) =) =)
Música-tema "brejo" de hoje:
“And you probably don't want to hear tomorrow's another day / Well I promise you you'll see the sun again / And you're asking me why pain's the only way to happiness / And I promise you you'll see the sun again” - Dido :´(

domingo, 6 de abril de 2008

"O importante é mesmo amar" =)

“Lado a lado, deitados na grama, contando estrelas
Ganhei uma constelação com meu nome.
Dividimos o último gole de coca-cola
E logo após, um beijo diferente, com sabor de quero mais
Pela manhã, lembrei agora...
Abracei-o amassando a roupa recém-passada
sentindo o perfume, a loção pós-barba, o roçar leve da pele com pele
Um longo abraço para um longo dia separados
Corre-corre, dia-a-dia, os probleminhas comuns do cotidiano
Tudo se resolve estando ao seu lado, sentindo o seu abraço, o seu laço protetor
Basta ver seu sorriso para o sol brilhar mais forte
Para eu ter mais certeza de quão belo é o amor
Nos damos bem, somos amigos, companheiros
Nos divertimos muito juntos
Passeios simples, caminhadas no parque, shopping, cinema...
Quem desafina mais no karaokê????
Fizemos um acordo, eu rio das suas e você ri das minhas piadas
Faz com que esta jornada seja melhor, mais leve
E acordar ao seu lado... ah... acordar ao seu lado...
É bom demais
É perceber que todo mundo é estranho e belo ao amanhecer, ao levantar
É gostar de tudo, mesmo do mau humor passageiro
É preparar um café com prazer e dividir as coisas mais simples, da xícara ao olhar
Perceber que o amor pode mudar tudo: o viver, o perceber, o caminhar, o continuar
Nada pode ser errado quando duas pessoas se querem, se gostam
Já que o importante é mesmo amar”.


Uma boa semana para todos! =)

sábado, 29 de março de 2008

=) Tempo de ser feliz =)

Sempre coloco os posts no domingo, mas hoje bateu uma vontade enorme de escrever, compartilhar... aí vai.
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- Vamos ao parque da cidade?
- Agora?
- É... Vamos?
- Ué? Vamos.
- Eu passo aí em 20 minutos, pode ser?

Legal o convite. Como eu já tinha tomado banho era mais fácil, hehehe. Troquei de roupa rapidamente, passei filtro solar e peguei meu boné. Coisa de gente da cidade, como diria um tio meu...

Esse meu bom amigo de anos, que conheci na UnB, é super gente boa. Já tivemos alguns perrengues, mas um dia ele disse que só tinha percebido que eu era amigo dele de verdade quando finalizamos o curso. Eu ri... por mais que a gente tente ser amigo de alguém, precisa haver uma contrapartida também.

Em 15 minutos ele já estava aqui e lá fomos nós para o parque da cidade. Caminhamos, conversamos pra caramba e por fim, sentamos num quiosque para beber água de coco. Ele contou da vida dele, dos últimos acontecimentos e da relação intempestiva com a namorada que o coloca na parede sobre casar ou não.

- Vocês já namoram há 3 anos. Você já está empatando a moça... brinquei.

Ele riu. Contei dos meus alunos e da escola, da fase de tentativa de dedicação aos estudos, dos novos amigos que consegui via orkut e MSN sem entrar em detalhes.

Depois de quase 3 horas lá, viemos embora. O intuito era só pegar sol e conversar para distrair, como ele mesmo comentou. Agradeceu a companhia e a disponibilidade. Eu que agradeci pelo convite e bom papo. O mais legal disso tudo é que um simples passeio só para pegar sol num lugar agradável e com alguém legal me fez pensar num monte de coisas.

A conclusão? Depois de um tempo meio em banho-maria, numa fase curtindo até um pouquinho de tristeza, percebi que a alegria que eu sinto em estar vivo nunca me abandonou. Ela só estava aqui meio adormecida. Bastou uma fagulhinha para enfim, reacendê-la com força total. Por mais que muitas vezes as coisas pareçam tomar rumos inesperados e por mais que eu fique confuso com relação a um monte de coisas, Deus (para quem acredita) me dá uma nova oportunidade todos os dias para recomeçar, tentar fazer a diferença. Sorri olhando o espelho, fazia tempo que eu não conseguia sorrir com vontade, com alegria mesmo e de coração aberto. E o título do blog é verdade: “Eu sigo sorrindo apesar de tudo”. Mesmo em confusão, em tristeza, em solidão, algumas vezes...

Tenho amigos legais, uma família (a gente se ama entre trancos e barrancos), uma profissão que gosto, ainda que me dê alguns dissabores (lidar com público é complicado), e uma vontade enorme de realizar, de conseguir, de buscar mais, de crescer pessoal e profissionalmente, de encontrar alguém para amar... Se já perdi algum tempo meio que me escondendo da vida, hoje sei que sempre é tempo... uns mais cedo, uns mais tarde... a vida pode oferecer muito mais do que supomos, às vezes é o medo ou as limitações que nos impomos que nos impedem de perceber, mas
sempre é tempo de ser feliz, sempre...

=) Aos novos leitores, o meu muito obrigado!!! =)

Música-tema de hoje:
Eu me acerto – Zélia Duncan.
“Não pensa mais nada / no final dá tudo certo de algum jeito / eu me acerto, eu tropeço e não passo do chão / pode ir que eu aguento / eu suporto a colisão / na verdade, na contramão”. Tudo a ver!!!

domingo, 23 de março de 2008

"Vai tranquilo que aqui tudo fica bem..."

Hoje, num primeiro momento, vou deixar que outras pessoas falem por mim...

“O senhor Manoel chegou. Agora eu estou lhe tratando bem, porque percebi que gosto dele. Passei vários dias sem vê-lo e senti saudades. A saudade é amostra do afeto”.
Quarto de despejo – diário de uma favelada – de Carolina Maria de Jesus – Ed. Ática.

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“Embora você não seja meu amante
Embora você não seja meu amigo
Eu faria tudo
Para ter você aqui
Só para abraçar você novamente”

Just to hold you once again – Mariah Carey

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“Je sui loin de toi (Eu estou longe de você)
Je suis loin mais je pense à toi (Eu estou longe mas eu penso em você)
Je suis loin de toi (Eu estou longe de você)
Je suis loin mais je n’oublie pas (Eu estou longe mas eu não esqueci)
Je suis loin mais je pense à toi (Eu estou longe mas eu penso em você)

Loin de toi (Longe de você) – belíssima canção na voz de Florent Pagny – letra de Jacques Veneruso.

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E por fim, um trechinho do meu livro, um romance que um dia sai:

Vai tranquilo que aqui tudo fica bem... apesar de tudo... Não sei dizer exatamente quantos minutos, horas, dias, eu pensei até chegar a esta conclusão. O melhor nesse momento é que você se vá e que me deixe, pelo menos momentaneamente, a também pensar na minha vida.
O que eu fiz, o que você fez, é no momento, difícil de esquecer. Desde já, espero conseguir perdoar, que você me perdoe também, sem deixar mágoa, sem pensar ‘me arrependi’ ou ‘sinto muito’. Eu queria te dar um abraço, um beijo, dizer não se demore, mas faltam forças. Consigo escrever estas poucas palavras só pra dizer um até breve, meu amor... até breve”.

Feliz páscoa a todos! ;-)

sábado, 15 de março de 2008

Histórias da minha vida

Fatos reais...
Eu tinha 16 anos e fazia cursos de línguas estrangeiras. Num deles, conheci a Camila, 15 anos, bem simpática: cabelos pretos, longos e cacheados, olhos castanhos claros, branca, baixinha e gordinha. Nós sentávamos lado a lado na sala e íamos juntos para a parada de ônibus na volta para casa. Trocamos telefone e conversávamos bastante, em ligações que duravam, no mínimo, 30 minutos. O tempo foi passando e ela que tinha uma história bem complicada e mal resolvida com um ex-namorado, disse que sentia algo por mim. Na época, eu tinha tanta dúvida com relação à sexualidade e me forçava a não ter pensamentos homossexuais, apesar de estar caidaço pelo meu grande amigo hétero. Eu achei que poderia ser uma boa chance e comecei a dar corda ao pseudo-romance. Continuamos falando muito ao telefone, até que resolvemos marcar um encontro no shopping. Eu liguei e ao me despedir, ainda comentei:

- Pensa em mim...

Fomos ao Parkshopping. Cheguei bem antes dela e fiquei sentado num banco, na maior ansiedade. Poderia ser a minha chance de ter um romance legal, porque eu tinha decidido que iria namorar mesmo, apesar de toda a não-aceitação que eu tinha sobre mim.

Ela chegou, eu a abracei e ficamos sentadinhos, um do lado do outro, conversando. Lá pelas tantas, ela olha para mim e diz:

- Eu ainda gosto do meu ex... e ele me disse que quando voltar de viagem quer me ver...

Eu lembrei de todas as histórias que ela tinha me contado... ele havia sido o primeiro homem da vida dela, que com 14 anos, já tinha vida sexual bem ativa. Como ela ficava sozinha todas as tardes em casa, todas as tardes ele ia para lá... e ela sempre comentava que ele era do tipo sacana mesmo.

- Do nada, ele chega em mim e pergunta qual a cor da minha calcinha ou pega a minha mão e coloca dentro do short dele...

Ela continuou:

- Eu pensei bem... é melhor que a gente continue sendo só amigos... você me entende?
- Entendo...

Ainda tomamos sorvete, andamos um pouco e ela ainda perguntou se eu estava chateado. Eu disse que não, menti, é claro. Eu fiquei com raiva porque eu tava quietinho no meu canto, ela que demonstrou interesse e na conclusão, ela me dispensava? Vai entender as mulheres... Nos abraçamos e eu fui embora. Na volta para casa, eu sentia um super mal estar. Eu tinha levado o primeiro fora da minha vida... Apesar de não querer, querer, eu já tinha feito até planos... pensei que sairíamos juntos, que eu também passaria algumas tardes na casa dela e que poderia ser legal. Passei a ser mais frio ao telefone e graças, estávamos no final do semestre. Ela percebeu e comentou que tinha feito mal ao dizer que sentia algo por mim, porque tinha estragado a nossa amizade que era tão boa. Fazer o quê?

Eu fiquei pensativo uns dois dias, mas passou. Decidi ir à locadora alugar um vídeo. O atendente era bem bonitinho e se chamava Rômulo. Aparentava ter uns 23, 24 anos, não sei. Eu conversava bem pouco com ele, mas nesse dia, ele puxou mais conversa, indicou filmes... só eu e ele na locadora. Quando eu fui pagar e assinar o papel, eis que ele olha para mim, pega uma fita que estava num monte, me mostra e diz:

- Acho que você gosta dessa...

Era um filme-pornô... gay!!! Eu devo ter ficado azul, roxo, lilás de vergonha...

- Não, não gosto não...

Ele percebeu o meu embaraço, pediu desculpas umas três vezes e disse que tinha se excedido... Eu disse tudo bem e fui embora. Como eu não esperava, fiquei bem perturbado com aquela nova situação. Em casa eu fiquei especulando, pensando que se eu tivesse dito sim, também poderia ser uma outra oportunidade para viver um possível romance também, já que eu havia entendido aquilo como um sinal dele dizendo que era gay. Ou será que ele tava só curtindo com a minha cara mesmo? Como eu lutava muito contra, acabei não admitindo o que sentia...

O pior foi que eu não quis mais voltar à locadora, mas eu tinha que devolver o filme. Menti para o meu irmão dizendo que estava com dor de cabeça e ele foi devolver. Eu não tive mais coragem de voltar à locadora enquanto o Rômulo trabalhou lá. O meu irmão estranhava quando eu não queria ir, logo eu que adorava filmes... se eu fosse explicar, era capaz do meu irmão querer bater no atendente, já que nessa época, ele era desses que malhava, metido a truculento e eu não queria que o Rômulo se desse mal... ele passou a fazer parte do meu arsenal amoroso, erótico e mal resolvido de histórias... :(

domingo, 9 de março de 2008

De amizade a amor :)

Amigos de longa data, quase irmãos, de fé, dificuldades, de sorrisos, de cumplicidade... só quando houve uma conversa franca e tivemos certeza do que antes era apenas um desejo reprimido de que fosse verdade, é que conseguimos deixar acontecer algo. De quase irmãos, passamos a namorados e conseqüentemente a amantes, companheiros de caminhada.

Depois de tantos anos de amizade, houve o nosso primeiro encontro. Foi de certa forma engraçado, já tínhamos tanta intimidade, mas era diferente sair com ele naquela situação. Um programa bem típico: cinema, pipoca, refrigerante, um fim de tarde... sentamos na última fileira e quando a luz se apagou pudemos ser nós mesmos. Um leve estremecimento ao senti-lo tocar meu braço, depois enlaçar meu pescoço e por fim, encontrar meus lábios, num beijo que me fez delirar por completo. Pela primeira vez eu pude tocar-lhe o rosto, sentir a aspereza de suas mãos e o perfume suave de seu corpo que passei a adorar. Nem sei dizer se o filme era bom...

Saímos dali com rumo incerto. Beijos e amassos no carro. Um leve calor foi tomando conta, envolvendo-nos numa fúria até então desconhecida.

- Vamos pra minha casa?
Um segundo de reflexão...
- E tem como recusar?

No elevador, subimos abraçados, como se estivéssemos bêbados... e estávamos mesmo, de nós mesmos.

Foi fechar a porta e sentir suas mãos, sua pele, seu cheiro, seu gosto. Nunca pensei em haver mãos tão hábeis em tirar, puxar, abrir botões, zíper... contemplamo-nos por um instante. Foi terno o gesto de acariciar meu cabelo, beijar-me a testa, as mãos, o pescoço...

Deitamos em êxtase, numa entrega desmedida, num interessante jogo de desejo, numa intrincada exploração onde cada milímetro era experimentado. Nada era feio ou errado, já que ambos estávamos de comum acordo. Um misto de dor e prazer, silêncio e sussuros, gritos e gemidos... do acariciar os cabelos passamos aos puxões, numa tentativa de mais e mais até cair exaustos abraçados e contorcidos, experimentando o prazer de pertencer verdadeiramente a alguém.

Já não éramos mais os mesmos. Algo mudara... algo dizia que seria muito melhor, não se saber mais sozinho, poder contar com alguém, dizer “eu te amo”, senti sua falta, contei cada segundo para estar aqui. Tudo passava a ser lindo e o desejo de fazer o bem passava a ser algo constante, uma tentativa de dividir a alegria que a vida proporcionava e que sempre estivera tão próximo e ao mesmo tempo tão distante, mas que de tão sonhado, transformava-se agora em realidade. Quase deixamos passar?

-“Eu estava aqui o tempo todo só você não viu”...

Só esse verso serve para o momento... cantou e confidenciou baixinho em meu ouvido... a voz grave que me fazia estremecer...

Eu também respondi cantando:

-“Foi assim como ver o mar / a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar / Não tive a intenção de me apaixonar / mera distração e já era momento de se gostar”

Nos abraçamos, beijos e mais beijos, repetindo em uníssono:

-"Eu te amo... eu te amo... eu te amo..."


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Obs.: Continuo na fase dos delírios românticos, hehehe. Sonhar não custa nada, ninguém paga imposto... ainda... ;-)