quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Para o Oswaldo :-)

Por que eu decidi conhecer o Oswaldo?
Em primeiro lugar, porque a iniciativa partiu dele, foi um pedido de supetão e a surpresa faz bem, pelo menos na maioria das vezes. Em segundo, porque o Oswaldo teve um diferencial: por não ter perfil fake no orkut e por quase não usar o MSN, preferiu conversar via telefone. Nossas conversas rendiam. A última: quase 30 minutos e a minha bateria acabou. Se a minha mãe estivesse perto, ela certamente questionaria: “Mas da onde vocês arranjam tanto assunto?”. Nem eu sei, mas o fato é que eu gostei de falar com ele desde o início. Algumas observações: o nome dele não é Oswaldo... é o nome de “guerra” como ele brinca, sendo que na verdade é o nome do tio que mais gostava. Servidor público, 33 anos e quando me mostrou o orkut oficial, eu descobri que ele era casado...
-“Decepcionado?”
-“Não, apenas surpreso...”
Ele disse ter me encontrado na comunidade do “armário”, num dos tópicos de fórum dos quais participei. Disse ter gostado da minha resposta e ao ver meu perfil, leu meu blog. Disse ter salvado o dia dele pois estava meio deprê quando me leu. Adicionou-me no MSN e após algumas conversas perguntou se eu confiaria nele a ponto de passar o telefone.
-“Juro que não sou psicopata, hehehe”...
Eu confiei (com receio, mas confiei) e foram conversas muito boas. Hoje sai do cursinho e ele me ligou. Surpresa nº 1...
-“Onde você está?”
-“No Terraço Shopping...”
-Se você topar, eu poderia te encontrar aí. Em meia hora... O que você acha?
Fiquei pensativo...
- Eu gostaria muito... adoraria conversar cara a cara – completou ele.
- Então, tá... eu te espero sim.
Fiquei matando o tempo na livraria Leitura, até que ele chegou. Eu já o conhecia por fotos. Como ele tinha saído do trabalho, estava ainda de paletó e gravata e aparentava um certo cansaço. Ele era um tipão mesmo... desculpando-me antecipadamente pela ousadia. Alto, moreno, do tipo grande, com ligeira barriga (“de cerveja e da carne gritando” referência à carne mal passada... eca!), um pouco grisalho, com a barba cerrada. Ele queria tomar café, então eu indiquei o “Formidable” lá no Terraço mesmo. Um ambiente bonito, com decoração legal e boas opções de comida.
Assim que sentamos, ele desatou a falar. Reforçou várias coisas que eu já sabia, mostrou algumas fotos que tinha na pasta (das duas filhas, da casa onde morava, do cachorro e até da esposa). E aí partiu para algumas coisas que eu ainda não sabia...
-“Eu já tive dois relacionamentos com outros caras. O primeiro quando tinha 17 anos com um amigo. E o segundo já depois de 6 anos de casado.
-“E não é muito complicado levar esse tipo de vida dupla?”
-“Que é, é... mas eu não podia deixar esse cara passar. Ele era tudo o que eu queria...”
-“E porque acabaram?”
-“Por que ele me colocou na parede. Disse que eu devia escolher entre ele e a minha família... se ele não tivesse feito isso, acho que ainda estaríamos juntos”.
-“O que você busca?”
-“Eu busco alguém que me queira, que me aceite assim como eu sou”.
-“Que se adeque a você? Ao seu estilo de vida?”
-“Também...”
No MSN, logo que eu soube que ele era casado, eu brinquei dizendo que ele era “canoa furada”. Ele colocou risadas, mas disse que ficou um pouco chateado. Podia até ser, mas ele também estava confuso e também buscava uma chance de recomeçar, de tentar ser feliz.
Era uma situação difícil. Uma das minhas conclusões que até debati com ele, foi a de que eu não vou poder casar, não vou poder ter filhos (ainda que eu os quisesse muito...). Como? De que jeito? No final, eu faria uma outra pessoa infeliz, uma que não tinha nada a ver com tudo o que eu sentia...
Indagado sobre o relacionamento com a esposa, ele disse que gostava dela, que se dava bem, gostava da companhia, mas que sentia um vazio grande por não conseguir ser o que realmente queria ser. Na família dele, assim como na minha, não havia nenhum caso declarado de homossexualismo. Os pai dele nunca admitiriam tal coisa e o casamento havia sido uma forma de tentar conter o que nem ele achava que era certo. Sem muito sucesso, é claro. Lembrei de um comentário em uma comunidade de alguém que falava que não achava legal usar mulher como escudo. Perguntei se era esse o caso e ele disse que, em parte, era sim, apesar de não ter se arrependido de ter casado. Era bom, principalmente pela idéia de ter um lar, de ter alguém com a qual, ele sabia que construía algo. Era o porto seguro, o lugar para o qual voltar todos os dias... ele completou dizendo que no final das contas, não queria se separar, apesar de saber que no fundo, o relacionamento não o bastava totalmente.
Nós conversamos por quase duas horas. Tomamos o café que ele queria e comemos crepe, aprovado por ele por eu ter dado uma boa sugestão. Falamos sobre tantas coisas, inclusive sobre os meus posts do blog. O do “casamento” e o do “aeroporto” eram os seus preferidos. Os meus também, respondi. Do último post, ele disse que eu também não poderia esperar muito dele, assim como o amigo anterior havia falado. No caso dele, era porque tinha família, tinha um emprego que exigia discrição, boa reputação, que não poderia se expor... e eu? Eu também não tinha que zelar por tudo isso? Engraçado, as pessoas tinham expectativas e se esqueciam que a outra parte também as tinha... Acho que agora você começou a falar demais...
-“Você é a segunda pessoa que me diz a mesma coisa em menos de duas semanas... mas eu não falei que esperava algo de você... eu vim vê-lo como amigo” – falei aparentando a maior traquilidade possível... apenas aparentando...
Pensei comigo: “Que doido... se eu estivesse com depressão dessas brabas mesmo, eu iria me jogar no primeiro buraco que encontrasse”.
-“Eu sei...” – respondeu ele. Minutos de silêncio...
-“Cara, eu não quis dizer isso... eu também só vim te conhecer, achei você legal, gostei de conversar com você e no fundo eu precisava falar com alguém”
-“Eu também gostei de falar com você...”
Conversamos mais um pouco, ele disse que me ligaria, e que tinha adorado me conhecer. Fiquei feliz por isso, ainda que no final das contas, fica a sensação de que as pessoas verbalizam coisas que acabam estragando tudo...
-“Para mim você não trouxe nada? Nem um cd?” e desatou a rir. Ele se lembrou que eu falei que gostava de surpreender meus amigos com presentes em ocasiões inesperadas.
-“Você me pegou de surpresa, senão eu teria preparado alguma coisa sim”.

Quando nos despedimos, ele me deu um abraço. Disse que também precisava disso. Disse que me ligaria para que combinássemos uma ida ao cinema ou ao parque, já que também adorava caminhar. Pensei comigo: “É melhor nem esperar muito... lição nº 1: não esperar demais das pessoas” – aprendida em menos de duas semanas... revisão de conceitos, sempre...
-“Você vai relatar o que achou do nosso encontro no blog?”
-“Acho que não... eu só anotaria no diário...”
-“Eu acharia legal se você escrevesse”.
-“Mesmo se eu colocasse alguma impressão minha que você não gostasse?”
-“Mesmo”.

Então, aí está. Dedicado ao Oswaldo, porque ele pediu.

Dessa observação, talvez você não goste muito, mas você falou que eu podia escrever qualquer impressão...

O Oswaldo disse que queria ver se eu era realmente o que passava no MSN e no celular. Eu disse que tirando o fato de estar no armário, de não ter coragem ainda para sequer pensar em falar para alguém, “eu era eu mesmo”. A surpresa nº 2? Ainda agora, ele disse (via MSN) que se eu o quisesse, ele topava... tinha gostado mesmo de mim... deve ser brincadeira, pensei...
-“Você é desses para casar... se eu tivesse te convidado para ir ao motel, acho que você iria corar, hehehe”.
As pessoas acham que eu sou muito certinho... faça a fama e deite-se na cama. Porém, eu não sou perfeito... eu não gostaria de sentir raiva, de sentir rancor algumas vezes... Ainda que eu tenha gostado da observação de que sou para casar e tenha me surpreendido com a observação do motel, respondi:
-“O motel eu recusaria mesmo e não é puritanismo não... É porque se acontecer vai ter que ser por amor...”
Eu não teria coragem de entrar numa relação desigual... não desse tipo... você é legal como amigo, mas ainda não deixa de ser uma canoa furada sim... ;-)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Estou pensativo...

Eu tenho colocado a minha vida em choque, acho que nunca pensei tanto em mim desde que fiz o perfil fake no orkut. No “quem sou eu”, digo que quero fazer amigos, pois conhecer pessoas como eu, ouvir outras histórias de vida, poderiam me ajudar, me fortalecer e quem sabe até tomar uma grande decisão para a minha vida. Fiz bons amigos, cada um com as suas particularidades, formas de demonstrar carinho e variados graus de tristeza/depressão. No geral, essa parece ser uma característica de quem passa pelo que a gente passa... No meu convívio, eu tenho alguns grandes amigos, mas sei que apesar da amizade, eu ainda não poderia dizer o que se passa pela minha cabeça, ainda não é o momento. Eu acabo falando mais do que deveria muitas vezes no MSN, numa tentativa de tentar me entender, de desabafar, de confrontar-me como pessoa... sempre procuro ouvir muito também, seria mais ou menos uma espécie de contrapartida, fala que eu te escuto e depois é a minha vez... uns me acharam triste, outros disseram que sou legal, disseram também que sou bonito (o que a minha crise de depressão cíclica não me deixa acreditar...). Por mais que a gente fale, explique, só a gente sabe o que se passa... “Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”, como diria Sérgio Brito. A tentativa porém, sempre é válida, eu já me senti tão bem conversando no MSN, acho que já consegui ajudar um pouco também passando conforto, carinho, quase um abraço à distância... já percebi, porém, que eu tenho uma dificuldade enorme em falar sobre os meus sentimentos... são anos em silêncio...
Talvez nessa tentativa de falar, eu acabe me excedendo e passando uma carência muito além da que realmente sinto... assim, quando ouvi um amigo dizer para mim no MSN que seria melhor que eu não esperasse muito dele, pois ele teria medo de me decepcionar como amigo, fiquei muito pensativo... muitas vezes, quando falo pensativo, entenda-se um sinônimo para triste, mas esse não é caso agora... fiquei apenas pensativo mesmo... foi legal da parte dele ter falado, ele foi muito sincero, eu só não esperava... será que tenho esperado demais das pessoas? Para quem me conhece há mais tempo, sabe que eu sempre gostei muito de ouvir, de tentar ajudar, sem esperar muito em troca... o mesmo amigo disse que nós sempre esperamos algo em troca quando nos prestamos a fazer algo para os outros... isso me fez voltar à reflexão... se de repente a gente faz isso, talvez seja uma reação inconsciente porque pensar assim na lata de que você faz algo esperando algo em troca é demais para mim... acho que internalizei a idéia da religião de que devemos fazer o bem sem olhar a quem, de que devemos fazer algo sem esperar algo em troca, e eu adoro a mensagem de que a “felicidade é a única coisa que podemos ofertar sem a possuir”, porque no fundo é o que venho tentando fazer a anos...
Uma aluna minha ano passado veio conversar comigo. Ela gostava de mim, não conseguia disfarçar... ela ficava vários minutos inventando assuntos para que a conversa se estendesse, queria saber se eu tinha namorada, se era sério... eu conversava com ela e dava atenção porque ela estava confundindo as coisas, mas era um ser humano fantástico... até que numa tarde ela disse que achava legal eu ser tão alto astral, ter dinamizado as aulas, estar sempre sorrindo e de bom humor.
- Mas você não é desses que ri aqui e chora em casa, né, professor?
Aquilo doeu... às vezes as pessoas quase conseguiam ver no fundo dos nossos olhos o que se passa em nossas almas... ela havia acertado em parte...
Eu respondi que se passava uns momentos tristes na vida, eu não tinha o direito de descontar no meu trabalho. Fazia efeito, os alunos estavam gostando das minhas aulas, pelo menos é o que muitos me falavam. E eu ganhava alguma razão para continuar a viver, para tentar me encontrar, para acreditar que existia uma luz no fim do túnel, para continuar a tentar fazer o bem... e sem esperar muito em troca...

domingo, 20 de janeiro de 2008

Quando o amor acontece... Parte 2

Passei a tarde inteira na rua e uma boa parte da noite também. Inventei um monte de coisas para fazer numa tentativa de me distrair, mas não conseguia tirar o Caio da cabeça. Assisti a 2 filmes no cinema, sendo que do segundo eu não lembro de nada. Eu só consegui chorar o filme todo... Ele tentou falar comigo via celular, ligou 5 vezes, mas não atendi nenhuma até que ele, finalmente, desistiu. O que ele iria falar?
Quando cheguei em casa, meu primo não estava. Ouvi o barulho dele chegando às 3 horas da manhã. Para quem faria um concurso às 8 horas, ele estava realmente muito comprometido.
Acordei às 9 horas e meu primo roncava no sofá da sala. Ele não tinha mesmo o menor compromisso com nada. Após um banho rápido e um café da manhã, que tomei bem lentamente, fui para um parque caminhar. Andei por quase duas horas até que resolvi. Sentei embaixo de uma árvore e fiquei observando um pequeno o lago logo a frente. O dia estava lindo, típico de Brasília: aquele céu azul, com pouquíssimas nuvens, o sol forte, a grama bem verde... bem ao lado havia um casal que parecia muito apaixonado. Ela estava encostada numa outra árvore e ele com a cabeça deitada no colo dela. Ela afagava os cabelos dele num gesto de profunda cumplicidade. Ele retribuía beijando a mão dela de vez em quando... se fosse num dia qualquer, talvez a cena me passasse despercebida, mas eu estava bem chateado com tudo o que tinha acontecido. Tentei conter as lágrimas, mas não deu. Baixei a cabeça, sentia me desolado...
- Você está precisando de ajuda?
Levantei a cabeça. Um desconhecido me encarava.
- Eu vou ficar bem, eu só estou um pouco triste...
- Eu vi você de longe e para quem está apenas “um pouco triste” você já está chorando a um bom tempo...
- Vai passar... sempre passa...
- Sempre? Se você souber o que fazer, como resolver, me diz ...
Ficamos ali conversando várias amenidades, ele parecia triste também, mas demonstrava bem superficialmente, ao contrário de mim, já que meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, entregando-me facilmente.
- O meu nome é Tarcísio, ao seu dispor.
- O meu é Henrique, muito prazer.
- Vamos conversar ali no quiosque? Tomar uma água de coco?
- Tudo bem...
Para que eu levantasse, ele me esticou a mão. Foi aí que eu percebi o quanto ele era atraente. Ele era forte, estava de óculos escuros, branco, a barba por fazer, revelando uns traços finos, lábios bem feitos... eu estava muito carente mesmo. Ele estava tentando me ajudar, estava sendo simpático e não pedia nada em troca, talvez apenas um pouco de atenção e eu achava ele bonito... No quiosque conversamos por quase uma hora. Ele queria que eu falasse o que tinha acontecido, mas desabaria outra vez. Foi ele que abriu o coração ao dizer que tinha sido abandonado recentemente pela pessoa que julgava ser o amor da sua vida. Que doía sim, mas que não valia a pena ficar triste.
- Ninguém merece a sua tristeza...
- Ele não merecia mesmo, não soube me dar valor...
Até então, achei que ele estava falando de uma mulher. Eu fiquei surpreso e ele percebeu, mas continuou a falar, como se não ligasse para mais nada. Trocamos telefones, ele disse que me ligaria. De “precisado de auxílio”, eu acabei sendo o que prestava ajuda, já que o escutei bem mais do que consegui falar.
No caminho, uma borboleta branca passou em frente a mim. Toda vez que a minha mãe via uma borboleta assim, ela dizia: “Boas notícias”. Não devia ser o caso agora... Na porta de casa, Caio me esperava. Eu disse um sonoro “Não quero te ver nunca mais”, mas ele ignorou. Disse que o meu primo havia dado em cima dele o tempo todo, mas pedia desculpa e dizia que podíamos tentar outra vez.
- E você é tão volúvel assim a ponto de ignorar totalmente a minha presença em casa? Foi tão fácil assim se deixar envolver? Eu não tenho mais nada a dizer, você não me deve nada, a gente não pôde começar nada... eu me deixei envolver...
- Pára... você sabe que eu gostei de você, não foi bem assim, eu só não consegui resistir... Podemos continuar a ser amigos então?
- É melhor não...
Entrei em casa sem deixar ele falar mais nada... era triste como uma pessoa podia ser tão importante em uma fase de nossa vida e perder totalmente o significado logo depois. Eu sentia um vazio tão grande ao pensar no Caio...
O telefone tocou. Era o Tarcísio dizendo que tinha adorado conversar comigo, que tinha muito a falar, a me ouvir também. Ele era um coração cansado, assim como eu.
- E aí, vamos sair?
Eu podia ver o sorriso no rosto dele. A minha mãe estava certa. Eram mesmo boas notícias...

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É um conto, mas com muitas manifestações do meu eu...
"Todos somos escritores. Uns escrevem, outros não" - José Saramago :-)

domingo, 13 de janeiro de 2008

Quando o amor acontece...

Parte 1

Depois de muito conversar com o Caio no msn, nós finalmente resolvemos nos encontrar. Decidimos que ia ser um sábado e que ele viria a minha casa para almoçar. Caio havia dito que, finalmente, encontrara alguém que valia a pena se relacionar, pois ele já estava cansado de futilidade e sexo fácil. Ignorei o comentário e considerei que a partir dali, ele realmente poderia ser diferente e que poderíamos construir algo juntos. Nós havíamos conversado durante horas, trocado fotos e eu achava que ele poderia suprir toda a falta de afeto que eu sentira até aquele momento.
O meu primo Fernando estava hospedado em minha casa. Quando eu disse na noite anterior que teria um encontro, ele disse que passaria o dia na rua. Iria fazer um concurso no domingo e já na terça-feira voltaria a sua cidade. Ele se definia como bissexual e até me jogara um certo charme quando chegara, interessado mais no fato da minha inexperiência sexual do que nos meus olhos ou papo. “Eu vou combinar algo com a Carol, mas tem como você me emprestar R$ 50?” Fala sério – pensei - mas emprestei, fazer o quê?
Dei uma ajeitada rápida na casa e cozinhei tudo o que havia programado. Eu havia dito a ele que eu mesmo cozinharia, o que ele achara muito interessante e curioso. Fizera até graça: “Você quer me fisgar pelo estômago, né?” - “Casa comigo que eu te dou casa, comida e roupa lavada”, respondi também brincando.
Quando o Caio chegou, tudo estava pronto, inclusive eu. Nunca me sentira com o coração tão cheio de amor, tão bem como naquele momento. Ele foi logo me dando um beijo. Ficamos abraçados por um longo tempo, ali na porta. Eu o convidei para entrar, servi uma bebida e finalmente, estávamos cara-a-cara. Nada mais de virtual, não era celular ou Internet, e era bom, muito bom.
-“Eu achava que você era um pouco mais encorpado... nas fotos você parecia maior”... Menos um ponto, pensei comigo. –“Eu sempre fui assim mesmo, agora é que comecei a malhar”.
Quando servi a comida, mais um comentário:
-“Cara, isso aqui tá muito bom! Você cozinha muito bem...” – Opa! A pontuação volta a ser positiva...
De repente, meu primo aparece:
-“Oi, Primo! Tive que voltar mais cedo... A Carol me deu o maior bolo. Cara! Você fez lasanha???”
O meu primo era um mala mesmo... eu pedira e ele não entendera a relevância desse momento para mim.
-“Esse aqui é o Caio... ele veio me conhecer. Esse aqui é o meu primo, o Fernando.
Eles apertaram as mãos e eu notei uma troca de olhares intensa. Será que eu estava vendo coisas?
Meu primo pegou um prato, comeu mais que todo mundo e monopolizou as conversas. Ele era super gente boa mesmo, engraçado, mas ele estava sobrando ali. O pior é que o Caio parecia estar muito mais interessado nas histórias deles do que nas minhas. Tentei ser o mais natural possível, mas pairava sobre mim uma certa frustração. Fui pegar a sobremesa e quando voltei, os dois estavam combinando de sair à noite.
-“O Fernando tá me falando de uma boate super legal lá no Centro, que toca de tudo. Vamos lá?” – disse Caio.
-“Mas a gente estava combinando de ir ao cinema, lembra?”
-“Você podia abrir uma exceção, primo... eu já vou embora na terça...”
Eu não gostava de boates, mas o Caio parecia querer ir. Que droga!
-“A gente pode passar no shopping antes, o que vocês acham?” – disse meu primo se intrometendo mais uma vez na conversa.
-“Ta bom, depois a gente combina o cinema então, Caio... eu só vou trocar de blusa e calçar outro tênis e a gente já pode sair”.
Eu devo ter ficado, no máximo, uns 15 minutos no quarto. Quando eu entrei na sala, não acreditei no que vi... O Caio, o cara que eu estava interessado, o que ia me fazer feliz, o qual eu finalmente decidira dar uma chance, se beijava com o meu primo...
Eu entrei na sala, abri a porta para a rua e fui embora. Eles se assustaram e o Caio veio correndo atrás de mim, tentando me alcançar.
-“Deixa eu explicar... espera aí...”
E eu corri, corri muito, só queria sair dali. Não deixei ele falar nada. Não tinha o que explicar.
Eu achava que eu nunca mais me apaixonaria antes do Caio aparecer. Eu passara anos gostando de um amigo, mas ele era hetero. Na semana passada, o meu coração se enchera de amor novamente, e eu vira que nada era para sempre. Pelo menos para isso essa decepção servia. Eu era capaz de amar novamente! No entanto, estava confuso. Será que todos nasciam para vivenciar o amor na plenitude? Ou será que para alguns sobraria apenas o amor fraternal? Para mim, pelo jeito, sobraria a segunda opção...

Continua...
Uma inspiração? I will love again - Lara Fabian
"I will love again / Though my heart is breaking / I will love again / Stronger than before / I will love again / Even if takes a lifetime to get over you / Heaven only knows / I will love again..."
Eu continuo suportando o tranco... mas até quando?

domingo, 6 de janeiro de 2008

Poeminha :)

Escrever para mim representa muitas coisas...
Às vezes sou acometido por arroubos de inspiração no ônibus, deitado na cama quase dormindo, no shopping... sempre ando com papel e caneta.
Esse poeminha eu escrevi numa biblioteca em Brasília. Estava estudando para um concurso, mas sempre páro um pouco depois de uma hora, levanto, ando, namoro os livros nas prateleiras...

A inspiração pode vir de várias coisas: uma música, um outro autor, uma conversa relembrada com amigos. Esse veio do meu desejo por felicidade, falando mais claramente sobre relacionamentos. Eu já sou feliz em muitas coisas, mas sei que existem algumas lacunas que ainda podem ser supridas... serão um dia. Alguns escritos meus são diálogos imaginários que travo comigo mesmo em busca de respostas, em busca de forças para continuar, sempre na certeza de que eu posso ser mais feliz também.

"Nunca escrevi tanto
E é você a inspiração
Versos e mais versos
Palavras e promessas
Nas quais abro o coração
Se após tanto pensar
Dizer sim a sua pergunta
Serei teu, todo teu
Em entrega, em renúncia"

03/01/2008 - às 17h56.

Serviram como trilha sonora para escrever:

1) Com açúcar e com afeto - Fernanda Takai - Obrigado, Eco!!!;
2) Você - Marina Elali (cara, que facada no coração...);
3) Right here waiting - grande Richard Marx (fecho os olhos e ele canta pra mim...);
4) Here with me - Dido (o coração resiste mesmo...).

Abraços!!! :-)
Obs.: A história do aeroporto é fictícia... é como escrevi, é um delírio romântico. Fico feliz com as dúvidas da veracidade. Se elas existem é porque consegui, em parte, fazê-la parecer real.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Amigos

Como eu nunca tive e nunca criei uma real oportunidade para amar, dediquei-me a várias outras coisas. Posso destacar duas que me alegram muito: 1) ter estudado na Universidade de Brasília (UnB) e ter colaborado no conceito “A” do curso no antigo provão; e 2) a rede de amigos que criei, poucos, mas grandes amigos.

Eu sempre pude me dedicar muito aos amigos. Sempre estou só, nunca tive “namorada” para me impedir de fazer nada. Sempre fui considerado o mais equilibrado, o mais tranqüilo, o mais sereno da turma. Na verdade, se todos soubessem de tudo, diriam que eu sou “o que mais possui conflitos internos”, mas tudo bem. Eu não aparento ter tais conflitos e mesmo triste eu prefiro não conversar sobre o que se passa. Eu teria que contextualizar e aí, me entregaria, e ainda não é o momento...

O fato é que me emociono quando meus amigos me ligam para simplesmente dizer que sentiram minha falta, que queriam conversar, que queriam ouvir minha voz. No MSN já ouvi algumas vezes: “Só entrei para falar com você”. Hehehe... Sem palavras... Por mais que eu expresse o quanto gosto deles nunca será o suficiente. O que procuro fazer é dedicar-me como amigo. Adoro organizar reuniões para ver filmes, para conversar, para comer, quando eu mesmo sou o “mestre cuca”.

No MSN também acontece um processo interessante. Na maioria das vezes não se conversa com alguém que mostre logo o rosto, pelo menos nos perfis fakes (onde conseguimos ser muito verdadeiros, só nós sabemos, né?) nos quais todos parecem ter tanto medo de se mostrar. Até que a pessoa crie confiança em você e te mostre a foto, o que resulta é uma afeição de personalidade. Eu conheço primeiro o “ser” para depois saber como é a “embalagem” de quem converso. Alguns amigos já mostraram foto brincando: “Não se assusta...”. Mal sabem que já são belos e essa beleza importa muito mais.

Eu que sempre converso e peço muitas coisas a Deus, hoje só quero agradecer por ter colocado em minha vida mais pessoas legais que conheci através do Orkut. Num futuro ainda indefinido, espero conhecer a todos, conversar, reunir, enfim, dedicar-me a esses novos amigos como sempre fiz.

Alguns agradecimentos:

* Rick – você não sabe o quanto me ajudou;
* Eco e Bernard – os geógrafos vão dominar o mundo! Hehehe;
* Harry – desejo a sua felicidade, você sabe;
* Sagitário – força, muita força sempre! O tempo vai te dar todas as respostas. E além do mais, você é brasileiro e não desiste nunca! Hehehe;
* Estrela – você foi a primeira e única pessoa da Internet que eu tive coragem de conhecer, apesar que hoje eu gostaria de conhecer outras pessoas desse grupo também. Num primeiro momento, antes de te ver, pensei comigo: “E se ele for um psicopata doido? Ninguém sabe que estou aqui...” Ainda bem que não! Hehehe;
* Titan – pensa numa pessoa legal... multiplica por 10, investe o saldo na bolsa de valores nas ações da Vale que estão em alta (fonte: jornal Valor Econômico), hehehe. Te adoro, amigo! Saudade;
* MMarcelo – você é uma pessoa maravilhosa, uma alma boa mesmo... definitivamente umas das grandes surpresas de 2007.

De Carole King, “You’ve got a friend” – “You just call out my name / And you know wherever I am / I’ll come running / To see you again / Spring, summer, winter or fall / All you have to do is call / And I’ll be there / Yes, I will / You’ve got a friend”
Valeu, pessoal! Feliz 2008!!! ;-)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

“Há dias que parecem resumir uma vida toda...”


Acordei ansioso... O dia estava fechado, quase nublado... Tomei um banho demorado, esfreguei o corpo todo, lavei o cabelo duas vezes, sequei-me. Liguei o som e fiquei ouvindo a Ana Carolina cantar para mim. Passei creme no cabelo, desodorante, hidratante, perfume nº 1 no corpo, vesti a roupa que havia demorado quase meia hora para escolher. Passei o perfume nº 2 na roupa. Penteei os cabelos tentando encontrar a melhor “estrutura”, sorri três vezes para mim no espelho. Eu era mesmo um "metrossexual". Peguei um táxi levando um livro, a agenda e o mp3. Esperaria o quanto fosse necessário...

Cheguei no aeroporto às 8hs. O vôo só chegaria às 10, tempo de sobra... Tomei um café bem forte. Lembrei do que havia me dito antes de viajar: “Você acha que poderia dar certo? Você acha que a gente conseguiria resistir a tudo por algo que nós não temos certeza ainda?” Parei, pensei... “Por que todo mundo racionaliza o amor? Por que a gente não pode só deixar acontecer?”

No mp3, “Ruas de outono” da Ana Carolina: “Daria para escrever um livro se eu fosse te contar / Tudo o que passei antes de te encontrar / Pego sua mão e peço pra me escutar / Teu olhar me diz que você quer me acompanhar // Eu voltei por entre as flores da estrada / Pra dizer que sem você não há mais nada / Quero ter você bem mais que perto / Com você eu sinto o céu aberto”

Li um pouco, escrevi um poema, cantei sozinho quase num murmúrio, fechei os olhos e por um momento, refleti sobre a falta que havia sentido nesse seu mês de ausência.

Apesar dos atrasos constantes, o vôo chegou na hora certa. Eu não me importaria em esperar mais. Antes de sair de casa, pensei em fazer uma brincadeira, escrever o nome numa placa e ficar segurando-a como se eu não o conhecesse, mas não fiz...

Avistei-o de longe... camisa preta, casaco de frio também preto, calça jeans, bem despojado como sempre. A barba grande, a mochila nas costas, uma revista na mão... nossos olhares se encontraram. Era a primeira surpresa que eu fazia para ele... Um sorriso se instalou no rosto dele. Outro se abria em mim, o céu se abriu também. Do nublado, o sol estava alto... Por causa da gente?

“Oi...” – disse ele num misto de surpresa e timidez.
“Olá...” respondi, olhando-o demoradamente.
“Nunca ninguém me esperou no aeroporto...”
“Eu vim porque não ia agüentar mais sentir a sua falta”.

Olhos nos olhos. Ele me deu um abraço demorado. Era como se existíssimos só nós dois naquele momento ali no aeroporto. Senti que ele queria me beijar... mas não havíamos só nós dois... infelizmente...

“Eu tenho certeza agora” – ele me disse. Segurou a minha mão e a beijou.
“Eu nunca duvidei...”

Ele me enlaçou o pescoço e fomos caminhando. Respirava aliviado, tinha sido muito melhor do que eu imaginava. A minha impressão era a de que eu havia vivido até ali em busca daquele momento... era real agora.

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Nem é preciso mencionar a música-tema para escrever, né? Esse é um dos meus escritos em momentos de delírios românticos. O belo está na leveza, nos detalhes, nos milagres do dia-a-dia, na observação pura e simples do cotidiano... essas coisas tem tanto valor para mim...
Feliz Natal a todos! ;-)