sábado, 29 de março de 2008

=) Tempo de ser feliz =)

Sempre coloco os posts no domingo, mas hoje bateu uma vontade enorme de escrever, compartilhar... aí vai.
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- Vamos ao parque da cidade?
- Agora?
- É... Vamos?
- Ué? Vamos.
- Eu passo aí em 20 minutos, pode ser?

Legal o convite. Como eu já tinha tomado banho era mais fácil, hehehe. Troquei de roupa rapidamente, passei filtro solar e peguei meu boné. Coisa de gente da cidade, como diria um tio meu...

Esse meu bom amigo de anos, que conheci na UnB, é super gente boa. Já tivemos alguns perrengues, mas um dia ele disse que só tinha percebido que eu era amigo dele de verdade quando finalizamos o curso. Eu ri... por mais que a gente tente ser amigo de alguém, precisa haver uma contrapartida também.

Em 15 minutos ele já estava aqui e lá fomos nós para o parque da cidade. Caminhamos, conversamos pra caramba e por fim, sentamos num quiosque para beber água de coco. Ele contou da vida dele, dos últimos acontecimentos e da relação intempestiva com a namorada que o coloca na parede sobre casar ou não.

- Vocês já namoram há 3 anos. Você já está empatando a moça... brinquei.

Ele riu. Contei dos meus alunos e da escola, da fase de tentativa de dedicação aos estudos, dos novos amigos que consegui via orkut e MSN sem entrar em detalhes.

Depois de quase 3 horas lá, viemos embora. O intuito era só pegar sol e conversar para distrair, como ele mesmo comentou. Agradeceu a companhia e a disponibilidade. Eu que agradeci pelo convite e bom papo. O mais legal disso tudo é que um simples passeio só para pegar sol num lugar agradável e com alguém legal me fez pensar num monte de coisas.

A conclusão? Depois de um tempo meio em banho-maria, numa fase curtindo até um pouquinho de tristeza, percebi que a alegria que eu sinto em estar vivo nunca me abandonou. Ela só estava aqui meio adormecida. Bastou uma fagulhinha para enfim, reacendê-la com força total. Por mais que muitas vezes as coisas pareçam tomar rumos inesperados e por mais que eu fique confuso com relação a um monte de coisas, Deus (para quem acredita) me dá uma nova oportunidade todos os dias para recomeçar, tentar fazer a diferença. Sorri olhando o espelho, fazia tempo que eu não conseguia sorrir com vontade, com alegria mesmo e de coração aberto. E o título do blog é verdade: “Eu sigo sorrindo apesar de tudo”. Mesmo em confusão, em tristeza, em solidão, algumas vezes...

Tenho amigos legais, uma família (a gente se ama entre trancos e barrancos), uma profissão que gosto, ainda que me dê alguns dissabores (lidar com público é complicado), e uma vontade enorme de realizar, de conseguir, de buscar mais, de crescer pessoal e profissionalmente, de encontrar alguém para amar... Se já perdi algum tempo meio que me escondendo da vida, hoje sei que sempre é tempo... uns mais cedo, uns mais tarde... a vida pode oferecer muito mais do que supomos, às vezes é o medo ou as limitações que nos impomos que nos impedem de perceber, mas
sempre é tempo de ser feliz, sempre...

=) Aos novos leitores, o meu muito obrigado!!! =)

Música-tema de hoje:
Eu me acerto – Zélia Duncan.
“Não pensa mais nada / no final dá tudo certo de algum jeito / eu me acerto, eu tropeço e não passo do chão / pode ir que eu aguento / eu suporto a colisão / na verdade, na contramão”. Tudo a ver!!!

domingo, 23 de março de 2008

"Vai tranquilo que aqui tudo fica bem..."

Hoje, num primeiro momento, vou deixar que outras pessoas falem por mim...

“O senhor Manoel chegou. Agora eu estou lhe tratando bem, porque percebi que gosto dele. Passei vários dias sem vê-lo e senti saudades. A saudade é amostra do afeto”.
Quarto de despejo – diário de uma favelada – de Carolina Maria de Jesus – Ed. Ática.

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“Embora você não seja meu amante
Embora você não seja meu amigo
Eu faria tudo
Para ter você aqui
Só para abraçar você novamente”

Just to hold you once again – Mariah Carey

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“Je sui loin de toi (Eu estou longe de você)
Je suis loin mais je pense à toi (Eu estou longe mas eu penso em você)
Je suis loin de toi (Eu estou longe de você)
Je suis loin mais je n’oublie pas (Eu estou longe mas eu não esqueci)
Je suis loin mais je pense à toi (Eu estou longe mas eu penso em você)

Loin de toi (Longe de você) – belíssima canção na voz de Florent Pagny – letra de Jacques Veneruso.

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E por fim, um trechinho do meu livro, um romance que um dia sai:

Vai tranquilo que aqui tudo fica bem... apesar de tudo... Não sei dizer exatamente quantos minutos, horas, dias, eu pensei até chegar a esta conclusão. O melhor nesse momento é que você se vá e que me deixe, pelo menos momentaneamente, a também pensar na minha vida.
O que eu fiz, o que você fez, é no momento, difícil de esquecer. Desde já, espero conseguir perdoar, que você me perdoe também, sem deixar mágoa, sem pensar ‘me arrependi’ ou ‘sinto muito’. Eu queria te dar um abraço, um beijo, dizer não se demore, mas faltam forças. Consigo escrever estas poucas palavras só pra dizer um até breve, meu amor... até breve”.

Feliz páscoa a todos! ;-)

sábado, 15 de março de 2008

Histórias da minha vida

Fatos reais...
Eu tinha 16 anos e fazia cursos de línguas estrangeiras. Num deles, conheci a Camila, 15 anos, bem simpática: cabelos pretos, longos e cacheados, olhos castanhos claros, branca, baixinha e gordinha. Nós sentávamos lado a lado na sala e íamos juntos para a parada de ônibus na volta para casa. Trocamos telefone e conversávamos bastante, em ligações que duravam, no mínimo, 30 minutos. O tempo foi passando e ela que tinha uma história bem complicada e mal resolvida com um ex-namorado, disse que sentia algo por mim. Na época, eu tinha tanta dúvida com relação à sexualidade e me forçava a não ter pensamentos homossexuais, apesar de estar caidaço pelo meu grande amigo hétero. Eu achei que poderia ser uma boa chance e comecei a dar corda ao pseudo-romance. Continuamos falando muito ao telefone, até que resolvemos marcar um encontro no shopping. Eu liguei e ao me despedir, ainda comentei:

- Pensa em mim...

Fomos ao Parkshopping. Cheguei bem antes dela e fiquei sentado num banco, na maior ansiedade. Poderia ser a minha chance de ter um romance legal, porque eu tinha decidido que iria namorar mesmo, apesar de toda a não-aceitação que eu tinha sobre mim.

Ela chegou, eu a abracei e ficamos sentadinhos, um do lado do outro, conversando. Lá pelas tantas, ela olha para mim e diz:

- Eu ainda gosto do meu ex... e ele me disse que quando voltar de viagem quer me ver...

Eu lembrei de todas as histórias que ela tinha me contado... ele havia sido o primeiro homem da vida dela, que com 14 anos, já tinha vida sexual bem ativa. Como ela ficava sozinha todas as tardes em casa, todas as tardes ele ia para lá... e ela sempre comentava que ele era do tipo sacana mesmo.

- Do nada, ele chega em mim e pergunta qual a cor da minha calcinha ou pega a minha mão e coloca dentro do short dele...

Ela continuou:

- Eu pensei bem... é melhor que a gente continue sendo só amigos... você me entende?
- Entendo...

Ainda tomamos sorvete, andamos um pouco e ela ainda perguntou se eu estava chateado. Eu disse que não, menti, é claro. Eu fiquei com raiva porque eu tava quietinho no meu canto, ela que demonstrou interesse e na conclusão, ela me dispensava? Vai entender as mulheres... Nos abraçamos e eu fui embora. Na volta para casa, eu sentia um super mal estar. Eu tinha levado o primeiro fora da minha vida... Apesar de não querer, querer, eu já tinha feito até planos... pensei que sairíamos juntos, que eu também passaria algumas tardes na casa dela e que poderia ser legal. Passei a ser mais frio ao telefone e graças, estávamos no final do semestre. Ela percebeu e comentou que tinha feito mal ao dizer que sentia algo por mim, porque tinha estragado a nossa amizade que era tão boa. Fazer o quê?

Eu fiquei pensativo uns dois dias, mas passou. Decidi ir à locadora alugar um vídeo. O atendente era bem bonitinho e se chamava Rômulo. Aparentava ter uns 23, 24 anos, não sei. Eu conversava bem pouco com ele, mas nesse dia, ele puxou mais conversa, indicou filmes... só eu e ele na locadora. Quando eu fui pagar e assinar o papel, eis que ele olha para mim, pega uma fita que estava num monte, me mostra e diz:

- Acho que você gosta dessa...

Era um filme-pornô... gay!!! Eu devo ter ficado azul, roxo, lilás de vergonha...

- Não, não gosto não...

Ele percebeu o meu embaraço, pediu desculpas umas três vezes e disse que tinha se excedido... Eu disse tudo bem e fui embora. Como eu não esperava, fiquei bem perturbado com aquela nova situação. Em casa eu fiquei especulando, pensando que se eu tivesse dito sim, também poderia ser uma outra oportunidade para viver um possível romance também, já que eu havia entendido aquilo como um sinal dele dizendo que era gay. Ou será que ele tava só curtindo com a minha cara mesmo? Como eu lutava muito contra, acabei não admitindo o que sentia...

O pior foi que eu não quis mais voltar à locadora, mas eu tinha que devolver o filme. Menti para o meu irmão dizendo que estava com dor de cabeça e ele foi devolver. Eu não tive mais coragem de voltar à locadora enquanto o Rômulo trabalhou lá. O meu irmão estranhava quando eu não queria ir, logo eu que adorava filmes... se eu fosse explicar, era capaz do meu irmão querer bater no atendente, já que nessa época, ele era desses que malhava, metido a truculento e eu não queria que o Rômulo se desse mal... ele passou a fazer parte do meu arsenal amoroso, erótico e mal resolvido de histórias... :(

domingo, 9 de março de 2008

De amizade a amor :)

Amigos de longa data, quase irmãos, de fé, dificuldades, de sorrisos, de cumplicidade... só quando houve uma conversa franca e tivemos certeza do que antes era apenas um desejo reprimido de que fosse verdade, é que conseguimos deixar acontecer algo. De quase irmãos, passamos a namorados e conseqüentemente a amantes, companheiros de caminhada.

Depois de tantos anos de amizade, houve o nosso primeiro encontro. Foi de certa forma engraçado, já tínhamos tanta intimidade, mas era diferente sair com ele naquela situação. Um programa bem típico: cinema, pipoca, refrigerante, um fim de tarde... sentamos na última fileira e quando a luz se apagou pudemos ser nós mesmos. Um leve estremecimento ao senti-lo tocar meu braço, depois enlaçar meu pescoço e por fim, encontrar meus lábios, num beijo que me fez delirar por completo. Pela primeira vez eu pude tocar-lhe o rosto, sentir a aspereza de suas mãos e o perfume suave de seu corpo que passei a adorar. Nem sei dizer se o filme era bom...

Saímos dali com rumo incerto. Beijos e amassos no carro. Um leve calor foi tomando conta, envolvendo-nos numa fúria até então desconhecida.

- Vamos pra minha casa?
Um segundo de reflexão...
- E tem como recusar?

No elevador, subimos abraçados, como se estivéssemos bêbados... e estávamos mesmo, de nós mesmos.

Foi fechar a porta e sentir suas mãos, sua pele, seu cheiro, seu gosto. Nunca pensei em haver mãos tão hábeis em tirar, puxar, abrir botões, zíper... contemplamo-nos por um instante. Foi terno o gesto de acariciar meu cabelo, beijar-me a testa, as mãos, o pescoço...

Deitamos em êxtase, numa entrega desmedida, num interessante jogo de desejo, numa intrincada exploração onde cada milímetro era experimentado. Nada era feio ou errado, já que ambos estávamos de comum acordo. Um misto de dor e prazer, silêncio e sussuros, gritos e gemidos... do acariciar os cabelos passamos aos puxões, numa tentativa de mais e mais até cair exaustos abraçados e contorcidos, experimentando o prazer de pertencer verdadeiramente a alguém.

Já não éramos mais os mesmos. Algo mudara... algo dizia que seria muito melhor, não se saber mais sozinho, poder contar com alguém, dizer “eu te amo”, senti sua falta, contei cada segundo para estar aqui. Tudo passava a ser lindo e o desejo de fazer o bem passava a ser algo constante, uma tentativa de dividir a alegria que a vida proporcionava e que sempre estivera tão próximo e ao mesmo tempo tão distante, mas que de tão sonhado, transformava-se agora em realidade. Quase deixamos passar?

-“Eu estava aqui o tempo todo só você não viu”...

Só esse verso serve para o momento... cantou e confidenciou baixinho em meu ouvido... a voz grave que me fazia estremecer...

Eu também respondi cantando:

-“Foi assim como ver o mar / a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar / Não tive a intenção de me apaixonar / mera distração e já era momento de se gostar”

Nos abraçamos, beijos e mais beijos, repetindo em uníssono:

-"Eu te amo... eu te amo... eu te amo..."


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Obs.: Continuo na fase dos delírios românticos, hehehe. Sonhar não custa nada, ninguém paga imposto... ainda... ;-)

domingo, 2 de março de 2008

Delírio romântico nº 2

Foi uma alegria extrema ao vê-lo depois de tanto tempo. Eu escondera tanto o sentimento que julguei por um segundo não sentir mais nada. Mas bastou vê-lo ali, sorrindo para que eu me desarmasse e ficasse em transe ao contemplá-lo tão lindo, tão bem.
Era uma estadia curta, apenas dois dias. Só para me causar taquicardia e falta de ar.

- Mas eu não poderia deixar de ter ver, senti tanto a sua falta... – disse-me com o olhar de cachorro sem dono, tão característico. Um sedutor incorrigível, pensei sorrindo, ele sabia como me agradar.

Acho que ninguém se pode dizer imune ao coração, que parece realmente ter vida própria. Saí dali aos tropeços, ansioso pelo jantar combinado às 21 horas daquele mesmo dia. Eu não queria e não deveria ter esperança. Tinha ouvido de sua própria boca o amor que devotava a outra pessoa, mas era o que eu havia pensado: o coração parecia ser uma outra pessoa...

Cheguei às 21 pontualmente. Você, como sempre, já estava a meia hora em antecedência, esperando, bebendo vinho e fumando, rememorando cada momento relevante do período em que estivemos distantes só para me contar. Você não deixava passar nada, havia riqueza de detalhes em sua narrativa, nada passava desapercebido.
E eu ria, entre casos e histórias, vinho e anedotas... você dizia que adorava conversar comigo pois eu era um ouvinte interativo, daqueles que fazem um filme na cabeça, participam da história e ainda mudam o final.

- Não sei porque a gente não deu certo – disse-me em tom de brincadeira.
- Você não quis me deixar morar em seu coração – disse desejando mudar toda aquela realidade, sem esperança de concretizá-lo, é claro.

Nós pagamos a conta, fomos para o seu hotel, conversamos a noite toda, num desejo imenso de entrega que nenhum de nós ousava pôr em prática. Não sabíamos o que podia ser desencadeado, ambos tínhamos contas a prestar.
Amanheceu, você terminou a mala, eu te deixei no aeroporto e você voltou para a sua vida, sua casa e sua família, deixando em mim um gosto de quero mais, de que tudo fosse real, porque em sonhos, já nos pertencemos há muito tempo...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Variedades :-)

Um filme: Piaf – um hino ao amor – vale a pena assistir a Marion Cotillard no papel da cantora francesa Edith Piaf: da infância difícil à consagração nos palcos franceses e depois no mundo. Interessante observar tamanha entrega, um Oscar de melhor atriz mais que merecido.

Um livro: Paula – de Isabel Allende – A escritora chilena acompanhou sua filha no hospital no período em que ela esteve em coma. Em quartos de hospitais e mais tarde, no leito em casa, Isabel resolveu escrever a história de sua família para que Paula recordasse tudo, havia a dúvida se acordaria com memória ou não.
(...) Escute, Paula, vou contar uma história para que você não se sinta tão perdida quando acordar.
(...) Por onde anda você, Paula? Como você vai ser quando despertar? Será a mesma mulher ou devemos aprender a nos conhecer como duas estranhas? Terá memória ou precisarei contar a você, pacientemente, os 28 anos de sua vida e os 49 da minha?
Ainda estou na metade das 431 páginas, mas já posso recomendar. Triste, ainda que poético... uma grande contadora de histórias...

Um dvd: As pontes de Madison – Com Meryl Streep e Clint Eastwood – Francesca é uma dona de casa que se vê sozinha por 4 dias, quando sua família vai a uma feira em outra cidade. Um fotógrafo da National Geographic cruza seu caminho e tomados pelo inesperado, acabam vivendo uma história de amor. É preciso fazer uma escolha?
“This kind of certainty comes only once in a lifetime”.

Uma música: Born to try – da Delta Goodrem – eu estava no fatídico casamento ano passado (já passou, já passou, é sério...) quando ouvi essa música. Eu já a conhecia mas ganhou um significado especial para mim. Em português: “Eu nasci para tentar / Eu aprendi a amar / (...) mas você tem que fazer escolhas / sendo certas ou erradas / às vezes você tem que sacrificar as coisas que você gosta / mas eu nasci para tentar”.

Um poeminha: “Neste coração
que é só esperança
Não há uma certeza”
19/02/2008 – 21h35.

Um trecho de MSN (uma cantada bem interessante e sei que de nenhuma forma, algo grosseiro):
X - Beijo... ainda é muito cedo para mandar beijo?
Y – Beijo no rosto!
X – Com uma boca dessas não tem como ser no rosto...

E por fim...

Uma reflexão: “Quando se desapegar mentalmente de si mesmo e se concentrar em ajudar a superar dificuldades alheias, será capaz de enfrentar as suas com maior eficiência. O ato da doação abnegada libera energia pessoal”.

É uma tentativa, algo em que acreditar, algo que me faz bem, ainda que esse tipo de pensamento seja visto com estranheza muitas vezes. “Inocência de sua parte acreditar nas pessoas” – disse-me a professora de História. Argumentei sem vontade de convencer ninguém, cada um sabe no que é melhor acreditar, eu não sou e nunca fui o dono da verdade.

P.S: “Um dia, me encontrei numa encruzilhada. São tantos os caminhos a buscar. Um leve medo a impedir a tentativa. Uma vã esperança de que tudo dará certo. Uma fé imensa, ainda que fragilizada. Uma vida inteira por descobrir, um desejo enorme de conseguir, um coração cansado de esperar. A impressão é que se eu dividir a minha dor, ela vai passar mais rápido. O acordo com Deus continua de pé”.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Para o João Hélio (na paz de Deus) :)

Qual foi a última vez que chorei na frente de alguém? Talvez tenha sido quando eu tinha 12 anos, em 1991 e meu pai disse que não iria fazer mais festa de aniversário. O meu irmão gêmeo nem ligou, até hoje ele não gosta muito, mas eu já tinha até convidado 3 pessoas. Que droga! Após conversar com a minha mãe, ela disse que eu podia dizer que ela estava doente... a última ligação foi para a minha prima. Primeiro, ela não acreditou e depois da minha insistência ela disse que iria lá em casa de qualquer jeito, só para me dar um abraço. Assim que desliguei, desabei a chorar, tanto que até soluçava, como se fosse realmente o pior dia da minha vida. Minha mãe disse para eu parar, porque ela tinha pressão alta e ia acabar ficando nervosa. Parei, mas foi um tremendo mal estar para mim. Nem chorar eu podia...

2007 – Eu acabei aprendendo a não demonstrar muito o que sentia... se eu dissesse que estava triste ou com depressão, eu teria que contextualizar e como iria simplesmente dizer que muito da minha tristeza se dava ao fato da minha indefinição sexual?

E aí, eu fui pego de surpresa num capítulo da novela Páginas da vida. Ao fim de cada capítulo, havia depoimentos reais, histórias de vida, conflituosas, emocionantes, trágicas... Nessa semana de fevereiro, um fato havia chocado o Brasil. Uma família fora assaltada: mãe e dois filhos. Ao serem rendidos, foram obrigados a deixar o carro. A mãe e a filha conseguiram sair, mas o garoto ficou preso no cinto de segurança e fora arrastado por metros, preso do lado de fora do veículo. Eu ficara chocado... Como podia haver gente desse tipo? O que leva um ser humano a ser tão inconseqüente, a ser tão hostil? Várias razões de cunho financeiro e social foram levantadas nos debates da mídia, mas nenhuma delas conseguia aplacar a minha indignação e mesmo a minha dor... sempre me comovia com essas tragédias, sempre.

A Globo filmou, então, o depoimento da mãe e do pai. Nessa noite, estávamos todos na sala: eu, minha mãe, pai e irmão. Fim da novela – depoimento nº 1: a mãe relatava o fato, estava emocionada, mas não chorava, parecia forte, apesar de saber que no fundo, ela estava muitíssimo abalada emocionalmente. Depoimento nº 2: o pai começara a falar com lágrimas nos olhos e a sua tristeza não era contida como a da mãe, mas estava totalmente à mostra. Eu não consegui me conter... comecei a chorar descontroladamente na sala... havia muito tempo que ninguém me via chorar... e eu acho que no fundo, eu chorava por muito mais coisa do que a tragédia com o garoto... eu chorava também pela minha vida, pela falta de coragem, por estar só... o meu irmão foi o único que esboçou reação, foi à cozinha, me trouxe um copo d’água e passou a mão na minha cabeça, numa espécie de consolo. Acho que aqui em casa, ele seria o único que realmente me entenderia se eu contasse. O meu pai levantou e foi para o quarto e a minha mãe não disse nada, continuou na sala fazendo crochê, não perguntou nem se eu estava bem, o que sentia e se haveria qualquer outra coisa que me deixava triste. Há muito tempo eu sabia que só podia contar comigo mesmo...
A morte de João Hélio foi há um ano. Uma missa foi celebrada para relembrar a tragédia e cobrar justiça. Os pais não compareceram e uma justificativa foi dada: eles ainda estavam muito abalados com tudo e não tinham forças para enfrentar toda a lembrança daquela situação mais uma vez.

Eu rezei por João Hélio... Deus é uma presença muito forte na minha vida e apesar da incerteza que cerca a sua existência, (seria mesmo Deus uma criação cultural?) a sua idéia me consola, me dá forças, me faz sentir menos sozinho ou desolado... com Ele eu posso contar... e se houver mesmo algo além da vida, João Hélio certamente está em paz, brincando num jardim com outras crianças, deve ter sido consolado por todos aqueles que o conheceram aqui, que partiram antes dele e que também o amaram nessa existência...

Uma idéia para 2008? Encontrar algum tipo de serviço comunitário... algo que eu saiba que posso ajudar, doar um pouco do meu tempo para fazer alguém se sentir melhor. As palavras de Roque Schneider explicam bem: “A felicidade é a única coisa que podemos ofertar sem a possuir. É o ‘milagre das mãos vazias’ de que fala o poeta Paul Claudel. Distribuir sorrisos quando o próprio amor nos foi negado. Matar a sede dos outros com nosso próprio deserto. Conceder apoio e segurança quando sofremos a mais amarga solidão. Ser chama que ilumina quando o fogo do nosso entusiasmo morreu”. Dessa vez, sou eu que preciso de sorrisos... ou abraços...