segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Seja feliz, Junior!

Uma amiga minha sempre diz que devemos nos colocar no lugar do outro e tentar observar por uma outra perspectiva. Sendo assim, percebo que um relacionamento, ainda mais no início, requeira mesmo dedicação integral. Então você está certo, Junior... dedique-se a quem você ama... é tão bom... e pensando nessa perspectiva, não posso deixar de não ficar feliz por você. Fico contente sim (espero que você acredite). Eu, sinceramente, acho que teria feito diferente na questão da atenção com os amigos, mas cada um é cada um, não posso julgar...

É lógico que fiquei chateado por você ter sumido assim, sem dizer nada, apesar de saber que você não tem obrigação nenhuma de dar satisfação... A gente passava tanto tempo no msn, se falava quase todo dia, que jurava que éramos muito amigos (ou que seríamos grandes amigos) e eu me empolguei com a sua companhia, porque era mesmo o primeiro amigo legal do "meio" que eu tinha por perto, acessível, o primeiro que eu realmente gostaria de ter para sair, conversar (dentro dessa perspectiva do armário). E aí, quando você sumiu, senti a sua falta... de verdade... Eu nem deveria ter me importado tanto, porque fomos amigos por apenas uns três meses, mas eu sou assim... Eu comecei a pensar em você na perspectiva de amizade que tenho. Possuo poucos, mas bons amigos, desses que a gente se encontra toda semana só para conversar, se ver, comer, só para estar na companhia uns dos outros. Algumas pessoas até comentam que nossa amizade é muito legal (a gente brinca dizendo que colocam olho gordo na gente, hehehe), que as pessoas hoje em dia não fazem muita questão umas das outras e que por isso mesmo, devemos fazer de tudo para continuarmos assim. A gente tem os nossos problemas de vez em quando, mas sempre conseguimos fazer a amizade crescer e isso me deixa muito, muito feliz...

Percebo que, no fundo, eu não posso querer amizade de ninguém, ela simplesmente acontece. É como você sempre falou, “as coisas devem se dar naturalmente”, sem sobressaltos e “forçação de barra”. Só porque tenho uma perspectiva de amizade não posso querer que ela se repita com todas as pessoas que gosto ou conheço. Você está certíssimo então... É como já comentei, não gosto de explicar o que sinto pelas pessoas. Não é necessário... as palavras traem e a gente nunca consegue explicar o que sentimos ou o quanto gostamos de alguém...

E por fim, eu só posso ficar mesmo contente por você e desejar a sua felicidade. Sinto que fiquei com muitos nós na garganta porque gostaria de ter conversado mais, ou saído mais, gostaria que você tivesse aparecido no msn ou enviado sinal de fumaça só para dizer que estava bem ou feliz. Senti falta dessa atenção e consideração que você tanto tinha no começo, mas os tempos são outros e a nova vida exige outros rumos. Da minha parte, não gostaria que deixar de ser seu amigo, mas não posso querer sozinho... Eu gostaria de dizer até logo...

Enfim, seja feliz, Junior!!!

Adeus!!!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Novelinha da vida real

“O moço que veio de longe”

Eles se conheciam há tanto tempo, mas não se falavam há anos. Se reencontraram via Internet. Noites e mais noites online, mensagens e mais mensagens fazendo a alegria da Claro. Até que decidiram que seria janeiro. O mês de dezembro tinha sido o mais difícil. Era uma provação, mas uma provação por amor. Éramos cúmplices naquela empreitada. Três amigos no aeroporto à espera de alguém que não conhecíamos pessoalmente. A tensão dela era tão grande que acabei ficando com dor de cabeça. Incrível... Uma amiga comentou depois: “Ela passou toda a tensão dela pra gente”. Estávamos no portão de desembarque errado.
Deixamos nossa amiga sozinha para recebê-lo, afinal era um momento só deles. E ele se aproximou em passos firmes, obstinado. Nós o reconhecemos ao longe. Ele olhava fixamente para um único ponto, numa única direção, algo que o fizera viajar por quase dois dias... eles se abraçaram, se beijaram e parecia um reencontro, na verdade. Se acreditasse em outras vidas, certamente, eles já tinham estado juntos de alguma forma... Será que daria certo? Será que ficariam juntos? Não sei, tudo o que posso dizer é que tentaram. Estão tentando. Pra que especular sobre o futuro e esquecer de viver o presente? E o momento foi mágico... parecia novela...
Esse fato, na verdade, me rendeu um textão... só um “golinho” aqui.

“Desculpas no aeroporto”

Ela tinha agido de supetão. Na nossa confraternização, algo que a gente aguardava com ansiedade e que foi muito legal, rolou alguns mal entendidos. Parecíamos irmãos... no fim das contas, fui o escolhido para ser o alvo. A raiva dela veio toda em cima de mim... Ela falou algo que me desagradou muito... eu respirei bem fundo. “Não vou reagir”, pensei. Se eu falar algo agora, nossa amizade vai para o brejo... Disse que seria melhor ela se acalmar. Ao nos despedirmos, ela me abraçou e eu disse: “Depois a gente conversa”. E eu deixei a minha cabeça esfriar. Por duas semanas. Pensei bastante. Ela me ligou, eu não atendi. Ela me chamou para ir ao cinema, ao barzinho. Eu não fui. Nós só conversamos via e-mail e mensagem de celular. Eu escrevi: “Eu preciso ficar na minha”. E o pedido de desculpas foi no aeroporto, quando esperávamos o “moço que veio de longe”.
Ela falou, falou, disse que tinha se sentido tão mal com tudo aquilo. Comentei que tinha tido um sangue frio danado porque não tinha revidado na hora. Eu poderia ter posto tudo a perder. E a gente já tinha passado tanta coisa junto... ela confessou que o meu silêncio tinha sido talvez o maior problema. Para mim, tinha sido o silêncio que tinha me feito encontrar várias respostas que precisava. Ela se sentiu culpada, magoada, sentida. Disse estar errada e o que tinha dito não era o que pensava de verdade, que tinha sido o calor do momento. E o meu não-revidar também, tinha a feito pensar. Muito até... “Se eu tivesse te visto na semana passada, por exemplo, eu ia começar a chorar, e eu não queria chorar na frente de ninguém” - disse. Meus olhos encheram d’água, minha garganta apertou, mas eu não chorei. Só enxuguei os olhos rapidamente e voltei a encará-la.
O problema não era começar a chorar na frente dela, era não conseguir parar depois. E o abraço que ela me deu, foi a melhor maneira de pedir desculpas. Eu estava para desabar, eu não era a fortaleza que todos pensavam... eu jamais conseguiria ficar com raiva dela, jamais. Eu não queria dizer adeus e o perdão, de ambas as partes, foi necessário. Uma ação a ser desenvolvida e praticada para sempre. Às vezes é tão difícil, mas não deveria. Engolir o orgulho e pedir desculpas não é sinal de fraqueza, mas aí sim, um sinal de fortaleza...

*************************************

É isso... tem horas que a vida real parece novela... viva a palavra escrita!!! Hehehe.

=) =) =) Feliz 2009 a todos!!! =) =) =)

sábado, 27 de dezembro de 2008

O presente

A ceia estava tão bonita em cima da mesa. Minha mãe tinha tirado a melhor louça do armário, meu pai tinha comprado frutas que eu só sabia que existiam no Natal, a família estava toda reunida, parentes de outro estado inclusive estavam em casa, mas meu coração estava entristecido, eu mal podia conter as lágrimas. Eu não podia falar que estava triste pela ausência de quem amava porque ninguém sabia que eu estava apaixonado... Para completar, meu irmão colocava no cd player canções instrumentais de Natal, dessas que são clímax de filme. Dava para ver como eu estava mal, só por querer chorar com músicas, né?

Foi aí que o meu filme aconteceu. Meu irmão avisou que meu “amigo” estava subindo. Todos o conheciam aqui em casa como meu amigo. Ele chegou! – pensei com o coração aos pulos. Na verdade, ele me surpreendeu, pois disse que não viria, que passaria o Natal sozinho mesmo. Estava de blusa social branca, calça jeans, barba feita, perfumado. Lindo, como sempre, de qualquer jeito. Trazia um embrulho dourado nas mãos. Antes de me entregar o presente, me deu um super abraço, desses que a gente consegue sentir o perfume da outra pessoa, desses que a gente consegue sentir a pulsação do outro alguém. Eu não queria chorar ao vê-lo, ele estava tão bonito e com certeza, não tinha sido nada fácil estar ali para me ver. Era, na verdade, um momento alegre. Seria o nosso primeiro Natal juntos.

- Pra você – disse me estendendo o embrulho.

Eu agradeci ofertando um de meus sorrisos. A gente já tinha se dado presentes porque sabíamos que não estaríamos juntos aquela noite. Senti a textura do papel com as mãos, achei um gesto tão bonito...

- Não precisava... o meu presente de Natal esta noite é você...

Foi a vez dele de sorrir, conectando-se ao meu sorriso. Abracei-o novamente. Dessa vez, eu não o deixaria mais... por nada...

*********************************************************

Escrevi esse texto pensando num dos depoimentos que li na comunidade “Estou no armário, e daí?” de uma garota que dizia que tinha pensado em abrir o armário na noite de Natal. Por amor, claro!

=) =) =) Feliz 2009!!! Abraços!!! =) =) =)

Obs.: Estou apaixonado... O nome dele é Rufus Wainwright!!! Explico: numa de minhas andanças por Brasília fui a um sebo. Comprei alguns livros e dois cds, dentre eles, o de Rufus que encontrei ao acaso. Eu já tinha lido sobre ele no Correio Braziliense e na Folha de São Paulo, já que este ano ele esteve no Brasil para fazer alguns shows. Tinha lido que ele é conhecido por sua criatividade, técnica vocal e pelo cuidado com arranjos e letras em seus trabalhos. Mesmo não sendo considerado um sucesso comercial, sem dúvida, ele era um artista com diferencial. E realmente, eu adorei o cd, que se chama “Want two”. A primeira música “Agnus Dei” já me fez gostar dele. Seguiram-se várias outras, sendo que adorei “The art teacher” (a menina apaixonada pelo professor de arte que nunca conseguiu falar o que sentia, mas que comprou um quadro para se lembrar dele tempos depois... poético). Enfim, estou apaixonado!!! Hehehe. Um belo trabalho, eu indico!

sábado, 20 de dezembro de 2008

A árvore de Natal

A regra aqui em casa era a seguinte: eu e meu irmão devíamos passar de ano direto, sem ficar de recuperação. No dia seguinte ou às vezes no mesmo dia do resultado do ano letivo, viajávamos para Belém. O roteiro era sempre o mesmo, mas minha mãe não abria mão de ver a família e acabou incutindo em nós, um sentimento de felicidade ao viajarmos. As aulas costumavam terminar no início de dezembro e acabava que nós nunca passávamos o Natal em Brasília. Conseqüentemente, a gente nunca decorava a casa e nessa época, um de meus sonhos era ter uma árvore de Natal. Coisa de criança, eu sei, mais eu achava tão legal ver as casas de vizinhos, parentes e amigos decorada... só faltava a nossa. O meu pai podia comprar, mas ninguém fazia questão, já que não estávamos em casa mesmo.
No Natal de 1997, nós não viajamos para Belém. Era o primeiro Natal desde que eu tinha nascido que não era passado com os parentes. Explico: no ano seguinte faríamos o vestibular logo nas primeiras semanas de janeiro. Viajar, então, não se tornava viável. Nesse Natal de 1997, nós armamos a nossa primeira árvore de Natal: ela era grande, dessas com mais de 1,50m e tinha sido presente de uma tia minha que ia se desfazer dela. Junto com a árvore, vieram bolinhas coloridas, arranjos e todo o tipo de enfeites natalinos. Achei o máximo poder, finalmente, armar a nossa árvore de Natal.

Dezembro/2007 – Minha mãe disse que não gostava mais da nossa árvore e a deu para uma amiga. “Vou comprar outra”, disse ela. Lá pelo dia 18 ou 20, não lembro bem, relembro-a da árvore. “Ah... pra quê?”. Fui fazer as minhas compras de Natal e passei nas Americanas. Fiquei um tempinho namorando as árvores até que me decidi por uma. Comprei uma árvore de Natal pequena, enfeites novos e cheguei em casa com a dita cuja. Minha mãe disse que eu não precisava ter comprado, mas eu particularmente, acho tão legal. Como todos estavam em casa, foi divertido ver todo mundo junto em prol de arrumar a árvore. Não era uma simples decoração... era um momento em que a gente parava, aproveitava pra conversar, colaborar uns com os outros... tudo por causa de uma simples árvore, que na verdade, era apenas um pretexto para um espécie de pequena e intimista confraternização em família.

*********************************

Quero agradecer a todos que leram meus textos em 2008, mesmo que não tenham feitos os comentários diretamente no blog. Cada opinião foi importante pra mim, no sentido de querer sempre melhorar (e também porque adoro escrever): Peter, Paulinho, Well, Pedro, Estrela, Pretta, Bart, Titan, Benê, Oswaldo, Saulo, Conrado, Digho, Gui, JMC, Eco, Márcio, André, The Secret, Latinha etc, etc, a todo mundo que passou, fez uma visitinha e ainda trocou uma idéia comigo depois. Obrigado!!!

=) =) =) Feliz Natal a todos!!! =) =) =)
Obs.: A sorte de hoje do Orkut realmente foi escrita pra mim - "A paciência é a arte da esperança".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

De volta

Fiquei uns dias sem atualizar o blog. Super correria de final de ano... como sou professor, tive que elaborar aulas, provas, exercícios, correr atrás de alunos, implorar para que fizessem os exercícios e estudassem para as provas bimestrais... Só dois alunos meus reprovaram. Aliás, ficaram em mais de 5 matérias, não tiveram direito nem a recuperação... Eu tentei... uma aluna perdeu dois de meus seis trabalhos. Um deles eu copiei a mão na hora do intervalo e entreguei a ela, pedindo: "Faça, eu te ajudo...". Ela perdeu de novo...

Tirando esses percalços, todo final de ano eu fico nostálgico, emotivo... Ano passado foi pior. Eu tinha uma turma pequena de 8a série. Comprei um livro de mensagens para cada um, embrulhei em papel de presente, escrevi cartao desejando que todos fossem felizes. Quase abri um berreiro, mas todo mundo percebeu que estava meio trêmulo... Eu até brinquei: "Vou me cuidar, nada a ver com Parkinson!!!". Era só emoção mesmo... putz...

A minha recompensa de fim de ano, é receber um abraço, ouvir que gostaram de mim e das minhas aulas... ouvir frases como "Não mude", "Eu te adoro", ou "Sentirei a sua falta". Eu ouvi também "As suas aulas são um saco", "Eu não gosto de você" ou "Pára de pegar no meu pé", mas é normal, essas foram a minoria e me ajudam a repensar na minha prática como educador. Eu ouvi uma pessoa importante na minha vida dizer que não devemos nunca estar conformados ou satisfeitos. Que devemos querer buscar sempre...

Bem, eu não estou conformado ou satisfeito. Quero até muitas (MUITAS MESMO!!!) mudanças em 2009. Estão a caminho, estou plantando... e quem planta, colhe...

=) =) =) Abraços!!! =) =) =)

domingo, 30 de novembro de 2008

Palavras ao vento...

X- Eis aí uma coisa que eu nunca vou entender... essa nossa "predileção" por nos sentirmos úteis para um outro alguém neste mundo...
Rod - Nossa... Você também se sente assim?
X- Nossa, e como...

X - Desculpe a risada... mas é tão.. tão ...tão engraçado... achar gente que tem tudo a ver com você...

X- Tranquilo... Estamos sempre por aqui... Sempre, sempre...

X- Oi, Rod... estava aqui apenas te esperando...

X- E estamos sempre por aqui... A gente tem todo o tempo ainda, ou quase todo ele...

X- Estou aqui pelo vício de você...

X- Hehehe... Você é um doce de pessoa...

X- São vidas inteiras para contar...

X- Tá vendo... Parece que não falei nada com você e já são quase duas...

X- Eu sinto falta disso... de calor humano mesmo...

Rod- Enfim, um dia, num futuro não sei quando, irei adorar vê-lo...
X- Também vou gostar de te conhecer sim e também acho ou espero que não demore muito... Espero que a gente ainda converse muito...

X- A gente merece ser feliz...
Rod- Merecemos sim, todo mundo merece, né? Mas tem pessoas que insistem em não querer acreditar...
X- Quase todo mundo... heheheh
Rod - Huahuahuahuahua, boa, boa...

X - Preciso ir...
Rod - Ok...
X- Foi mal ae... depois a gente se fala...
Rod: Sem problema...

***************************************

*** Foi-se com o vento... ***

***************************************
Música-tema: Dust in the Wind – na voz de Sarah Brightman.

"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas. . . é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!".
(Na Internet, o autor é Mário Quintana).

Esse trecho de texto também foi enviado por esse amigo do msn. É lógico que tinha um contexto... A melhor reflexão que tiro dele é a de que a gente precisa se desapegar de muita coisa... apego material ou emocional em demasia não fazem bem... e por certo, eu senti muita falta dele... gostaria que ele estivesse presente, mas se não está é escolha dele. É a vida, né? Uns vão, outros ficam... ninguém é obrigado a nada...

Obs.: Tirei o texto anterior porque tava bem brega, hauahuhaa. Acho que esse é o post que mais editei. A vida continua... =) =) =) =) =)

Obs.: Eu só falei que sentia a sua falta... nunca disse que você poderia ser a "resposta"... Na verdade, acho que eu vou morrer com várias perguntas...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Na dor ou no amor

Eu tava numa fila no banco esperando para ser atendido. Como era para falar com o gerente, tinha umas 5 ou 6 cadeiras disponíveis onde as pessoas, em ordem de chegada, aguardavam. Duas pessoas, um homem e uma mulher, acho que da mesma empresa, falavam alto nessa fila, fazendo todo mundo escutar a conversa. Eu tentava me concentrar no livro que tinha levado, mas não conseguia e a pilha do meu mp3 tinha acabado. Resultado: o jeito foi escutar as pérolas de pessoas que realmente têm muito pouco a dizer, a não ser falar dos outros, e o pior, mal dos outros. Eu devo ter ficado uns 20 minutos ali escutando a conversa. O Senhor do meu lado até comentou: “Será que eles não poderiam ficar quietos?” Rimos, acenei com a cabeça em concordância. Ele também tentava ler. Conversa vai e conversa vem, eles começaram a falar sobre o casal que tinham visto na parada de ônibus se beijando.

- Ai, que nojo... Eram dois caras, e eles estavam se beijando de língua... o pior, os dois eram lindos, que desperdício... – disse a mulher.
- Sobra mais mulher, por isso que eu não posso namorar só com uma, tá vendo?
A mulher deu um tapa no braço dele e continuou:
- Eu tenho duas vizinhas lésbicas. Elas moram juntas há um bom tempo. Eu só respondo o bom dia delas porque preconceito é crime, né? Mas me dá um nojo tão grande quando eu encontro com elas...
- É... disse o cara. Agora virou moda...

Que saco! Na mesma conversa tive que escutar exemplos de machismo e preconceitos explícitos. Se eles não acham certo ou não aprovam, porque não ficam calados com o seu preconceito só para si? Por que eu sou obrigado a escutar? A palavra que mais me chamou a atenção foi “nojo”. Deu vontade de chegar nela e comentar: “Eu é que sinto nojo de escutar gente como você, que não consegue enxergar o outro como ser humano, como próximo...”. Mas não era um debate, fiquei na minha ainda que indignado.

De repente eles têm alguém na família que é homossexual e não sabem. Ou um amigo. Digamos que tenham algum filho que passa por algum conflito nessa momento. O discurso deles em casa não deve ser muito diferente, o possível filho deve se sentir pouco à vontade para desabafar ou dizer qualquer coisa. Vai crescer achando que é doente ou impuro, ou qualquer coisa do gênero. E o preconceito vai só sendo repassado, acriticamente. As pessoas escutam e repetem. Por que se deve ter nojo de um homossexual? O caráter de alguém não está na sua orientação, mas nas suas atitudes. A gente deveria sentir pena (não nojo) de gente mesquinha, extremista, preconceituosa, tapada, não aberta ao diálogo, que não consegue ver um palmo na frente do nariz. Acho que a vida ensina tudo o que a gente precisa. Não sei de que forma, mas creio que eles vão aprender, na dor ou no amor, a ser pessoas mais tolerantes.

Finalizando, o homossexualismo não é moda. Essa foi péssima! Sempre existiu. A história relata casos famosos. O que sempre o acompanhou foi o medo, as crendices, a intolerância, daí muitos terem que esconder, camuflar, viver vidas obscuras, pelas metades, com receio de serem plenos. O que acontece agora, ao meu ver, é que as pessoas se deram conta de sua liberdade, de poderem se expressar, de serem elas mesmas. Aos poucos, as ditas minorias se fortalecem, caem na real e sabem que até o Estado vai reconhecendo os seus direitos, ainda que de forma tímida. Espero que os dois aprendam e que possam olhar os seus semelhantes de forma respeitadora. Pode-se até não concordar com a orientação sexual de uma pessoa, mas deve-se respeitar. Só quem passa pela situação sabe que não é escolha.

Duas citações para reflexão:

“O homem está condenado a ser livre” – Sartre

“Não é triste mudar de idéia, triste é não ter idéia para mudar” – Barão de Itararé.

=) =) =) Boa semana a todos! =) =) =)